ARTIGO - SIM, ELAS PODEM E MERECEM
VoltarCoube a Juvenal Lamartine, governador do Rio Grande do Norte, o ineditismo de autorizar o voto feminino no Brasil em 1928. A primeira eleitora inscrita para exercer esse direito e, ao mesmo tempo, dever cidadão, foi Celina Guimarães Viana. Esse fato obteve relevância mundial e até mesmo a Inglaterra, berço de civilidade e de incontáveis conquistas femininas, só autorizou o voto feminino após o exemplo do estado potiguar.
Vemos, agora, mais um ineditismo: a eleição de uma mulher para o cargo mais importante do País, o que marca uma interessante mudança de paradigma que, se analisada dentro de um contexto sócio-histórico e a partir da inscrição daquela primeira eleitora, parecia inevitável.
Apesar de ainda haver inaceitáveis diferenças entre salários e cargos, as mulheres estão ultrapassando fronteiras invisíveis e extrapolando os papéis para elas estipulados pelo universo masculino. Para tanto, jamais foram escassas as personagens dispostas a se colocar à frente de seu tempo e contra a atuação tímida que lhes era designada em nossa sociedade, mas a luta pela igualdade teve seu preço, por exemplo, a tripla jornada de trabalho.
Políticas públicas precisam ser adotadas para que ocorra equidade entre homens e mulheres no mercado de trabalho, afim de que elas assegurem não só a independência financeira, mas a justa distribuição das responsabilidades familiares. Tais políticas precisam ser diversificadas e contemplar, com a mesma eficiência, a mulher dos grandes centros urbanos e a do mais distante recôndito rural.
Exemplos locais de merecido reconhecimento não faltam. É o caso da escritora Rachel de Queiroz, primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras, e de Bárbara de Alencar, primeira mulher heroína do Brasil. Os dias atuais nos trazem grandes exemplos da fibra da mulher cearense, seja a mulher anônima, chefe de família que mantém a casa, educa os filhos e ainda trabalha fora com admirável capacidade empreendedora seja a mais renomada profissional.
Valorizar as características femininas como a sensibilidade, a dedicação, a capacidade de liderar com foco no humano e a força para superar obstáculos que estão além da capacidade profissional como as barreiras de gênero, demonstra a quebra de paradigma estabelecida nos últimos anos em quase todo o Planeta. É preciso acelerar esse resgate.
Segundo Nilcéia Freire, ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, “reparar a ausência das mulheres nos postos de decisão é reparar a ausência do nosso próprio reflexo no espelho da história.” Estado e sociedade são responsáveis por esse reflexo negativo e devem promover essa reparação.
Nessa nova ordem, testemunhamos a escolha de Luiziane Cavalcante Fernandes como lojista 2010 pela Câmara dos Dirigentes Lojistas de Fortaleza. Entre os critérios para a escolha, estão visão e tradição empresarial, expansão de negócios e pioneirismo. Ou seja, é uma mulher “arretada”.
Honório Pinheiro
Pres. da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do CE
Fonte:
jornal O POVO
Site:
http://www.opovo.com.br/app/opovo/opiniao/2010/11/24/noticiaopiniaojorna...
jornal O POVO
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