O crescimento brasileiro e seus condicionantes
VoltarSegundo pesquisa recente publicada no site folha.com, “92% dos empresários brasileiros pretendem aumentar o salário de seus funcionários em 2012”, número significativamente acima da média global de 66%. Os dados são do International Business Report da Grant Thornton, pesquisa feita com mais de 11 mil empresas de 40 países.
No levantamento anterior, feito no terceiro trimestre de 2011, a porcentagem de empresários brasileiros com planos de aumentar os salários era de 74%.”
Se pensarmos que estes surpreendentes números surgem em um momento no qual mercados internacionais, especialmente os europeus, estão envoltos em uma preocupante crise econômica, veremos que o crescimento econômico mudou os condicionantes vigentes no mercado brasileiro - e veremos que isto ocorreu em vários aspectos.
Não vai longe a época em que as notícias de crise abalavam o empresariado brasileiro fazendo com que estes abrissem mão dos investimentos enquanto a crise permanecesse. Hoje, a maioria de nós encara as crises como “marolas” e aprendeu que o melhor remédio contra elas é investir e, desse modo, distribuir renda. Uma dessas formas de investimento recai sobre o aumento salarial.
Essa distribuição de renda, embora pressione os custos das empresas, é necessária para a estabilidade social e para que os assalariados adquiram a condição não somente para consumo de bens e serviços, mas principalmente para melhorar a própria formação e a de seus filhos num país cujos indicadores sociais revelam a ainda grave falta de investimento na educação e a cruel diferença entre as classe sociais.
O desenvolvimento de um povo precisa ser sustentável para progredir a longo prazo, e não há como negar a renda desse próprio povo como um pilar dessa sustentabilidade. Prova disso é que a China, país cuja economia emergiu em meio à crise econômica mundial, implantou uma política de aumentos regulares na remuneração dos seus trabalhadores.
Nesse contexto de crescimento pelo qual passamos, é interessante observar no setor privado essa quebra de paradigma que marca as relações trabalhistas. Se estabelecida com responsabilidade compartilhada entre empregadores, empregados e órgãos reguladores, essa nova relação poderá auxiliar num problema que ainda enfrentamos no Brasil: a desigualdade social como fator que gera violência e atrasa o desenvolvimento do País.
Vale ressaltar que a responsabilidade social envolvida na mudança desses condicionantes exige reflexão e deve ser compartilhada por todos os cidadãos brasileiros, ou seja, não pode ser delegada somente aos empregadores. Precisamos de uma visão social holística e de atitude no fazer. Neste cenário, a reforma trabalhista - tão necessária - jamais foi tão oportuna.
Honório Pinheiro
presidente@fcdlce.com.br
Presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do CE



