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(DN) Renda de mais pobres cai 21%

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Parcela dos 10% mais ricos obteve crescimento de 5% na renda enquanto os 10% mais pobres viram a renda minguar

A desigualdade de renda ainda permanece no Estado, apesar dos esforços para reduzir a pobreza e da melhoria verificada no mercado de trabalho local. Isto porque, nos últimos dois anos, a renda média dos 10% mais pobres caiu quase 21% no Ceará. Em 2008, os cearenses inseridos nessa parcela da população recebiam, em média, R$ 37,27 por mês, corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Porém, no ano seguinte, o valor auferido passou a ser somente de R$ 29,52 mensais.

Redução acentuada

Embora essa quantia também tenha regredido em âmbito nacional e regional, aqui essa redução foi bem mais acentuada. Entre 2008 e 2009, o rendimento médio dos 10% mais pobres caiu apenas 0,4% na média nacional (de R$ 59,10 para R$ 49,90), enquanto no Nordeste a queda foi de 2,67% (de R$ 27,69 para R$ 26,95).

Fosso de desigualdade

Por outro lado, na outra ponta, ou seja, os 10% da população estadual com maiores rendimentos tiveram seus ganhos médios mensais acrescidos em 5,29% no mesmo período, saindo de R$ 1.616,84 para R$ 1.702,44 por mês. Renda esta, cujo crescimento também foi maior no Ceará, na comparação com o País e o Nordeste, regiões onde os 10% mais ricos tiveram os rendimentos médios mensais acrescidos, respectivamente em 1,13% (de R$ 2.670,55 para R$ 2.700,72) e 4,94% (de R$ 1.714,03 para R$ 1.798,65. Porém, em todas as áreas pesquisadas, os crescimentos mais significativos foram verificados, de fato, nos décimos centrais.

Os cálculos, antecipados com exclusividade para o Diário do Nordeste, foram efetuados pelo Laboratório de Estudos da Pobreza (LEP), vinculado ao curso de Pós-graduação em Economia da UFC (Caen), a partir dos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2009, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o coordenador do laboratório, o economista Flávio Ataliba, os números fazem parte da pesquisa "O Ceará e os estados brasileiros no contexto da crise financeira internacional de 2009", que será divulgada hoje pelo LEP, e que foi realizada tendo como referência a Pnad, como foco, em uma primeira etapa, em indicadores como renda per capita, desigualdade e pobreza. "A partir dos microdados da Pnad 2009, ao analisarmos a evolução dos rendimentos entre os decis da população no Ceará, chegamos à conclusão que essa redução na renda entre os mais pobres, em termos reais, foi bem mais acentuada no Estado que o observado no País e no Nordeste. Foi uma queda radical", enfatiza.

Políticas públicas

O quadro, segundo o economista, só reforça a ausência de políticas públicas voltada para redução das desigualdades, "estas bem mais eficazes", diz, que aquelas orientadas para aumento da renda, quando se pretende reduzir a pobreza.Continua nas páginas 2 a 6 e em Cidade

ANCHIETA DANTAS JR.
REPÓRTER

Fonte: 

jornal DIÁRIO DO NORDESTE

Postado por: 

Dégagé