(DN) Baixa renda puxa fatia de 91% das compras
VoltarNordeste vive ciclo inédito no consumo e é preciso ser ágil para atender às exigências dos consumidores locais
Com aproximadamente 91% de participação, as classes C, D e E puxaram o volume de compras dos itens de consumo de massa que compõem a chamada Cesta Nielsen, no Nordeste, até julho deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado. Enquanto as classes A e B contribuíram com apenas 9%. Os dados são do estudo "O fenômeno de crescimento do Nordeste", divulgado, ontem, pela Nielsen Brasil, em Recife.
Para o presidente da entidade, Eduardo Ragasol, a região vive um ciclo inédito em termos de consumo e é preciso ser ágil para atender as novas exigências dos consumidores locais. A maior prova, aponta a Nielsen, é que o Nordeste tem crescido acima da média nacional, quando se observa a variação do volume de vendas real das 139 categorias de produtos que fazem parte da cesta monitorada pela instituição. No comparativo de janeiro a julho de 2010, com o mesmo intervalo de tempo de 2009, a expansão foi de 6,2%, ante 4,1% no País.
Classe C desponta
Nessa perspectiva, só a classe C, equivalente a 27% da população nordestina, aponta a Nielsen, registrou um incremento de 15% no gasto total do varejo no período, oito pontos percentuais acima do índice apresentado pelos consumidores com faixa de renda mais elevada, cujo aumento foi de 7%. Já as classes D e E contabilizaram avanço de 11% no gasto total.
O que também chama a atenção, destaca a empresa de pesquisa, é que apesar de a classe C ter reduzido em 1% seu tíquete médio de consumo, o aumento da frequência de compra dessa camada da população foi mais alta que as outras, 16%, seguida das classes D e E, 14%, contra apenas 6% das classes A e B.
A força dos pequenos
E nesse cenário, o pequeno varejo alimentar - empórios, quitandas, armazéns, lojas de conveniência, entre outros - aparece como o canal de vendas que mais se destaca no Nordeste, embora não seja o de maior crescimento, posição ainda ocupada pelos supermercados médios, grandes e hipermercados.
"De fato, é no pequeno varejo, na chamada loja de bairro, de periferia, onde se registra o maior crescimento nas vendas aqui no Ceará, puxado pelas classes C, D e E. São estabelecimentos onde os produtos da cesta básica apresentam um maior incremento nas compras", justifica o presidente da Associação Cearense de Supermercados (Acesu), Aníbal Feijó.
Uma outra característica, revela a Nielsen, é que as classes menos favorecidas da população estão indo além do básico nas suas compras, adquirindo mais itens como água mineral, cerveja, refrigerante e fraldas descartáveis. "Essas e outras categorias de produtos que não compõem a cesta-básica estão em expansão no Nordeste. Apesar de o nordestino ainda buscar preço e promoção, o aumento de renda na região está estimulando o consumo como um todo", afirma o presidente da Nielsen Brasil.
No Ceará, acrescenta Feijó, da Acesu, destacam-se mais a cerveja e o refrigerante. "Já nos itens da cesta-básica produtos como arroz, ovos e peixe têm ocupado mais espaço nas compras", emenda.
Nacional versus regional
Embora sejam vistas pela população como uma bandeira da preservação da identidade local, as marcas regionais ainda estão atrás das nacionais em termos de faturamento, aponta a Nielsen. No primeiro semestre deste ano, as marcas nacionais foram responsáveis por 78,8% do faturamento na região, índice 0,3% acima do mesmo período de 2009. No entanto, das 12 categorias de produtos avaliadas, as marcas regionais já respondem por 50% ou mais do faturamento em quatro delas: água mineral, café em pó, aguardentes e biscoitos e em categorias como leite em pó, fraldas e salgadinhos, os rótulos regionais estão crescendo acima das médias nacionais. Segundo Ragasol, as marcas regionais são mais fortes no público D e E, enquanto as nacionais têm a preferência dos consumidores das classes A, B e C. "Os fabricantes de marcas regionais devem se perguntar se não há espaço para crescer em outros níveis socioeconômicos, que não o D e E", afirma. "As marcas regionais têm todas as condições de oferecer um mix diferenciado e de qualidade para aproveitar oportunidades nas classes média e alta. Há espaço para todos", diz o presidente da Nielsen. De acordo com Feijó, da Acesu, é cada vez maior o espaço conquistado pelas marcas locais nas compras dos supermercados.
ANCHIETA DANTAS JR.
REPÓRTER
jornal DIÁRIO DO NORDESTE
Dégagé




