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Barreiras ao desenvolvimento

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26/10/2011

Em média, as empresas têm vida curta e não costumam ultrapassar duas décadas de funcionamento. No Brasil, isso se deve, principalmente, ao excesso de regras que acabam barrando o desenvolvimento do País, que precisa de empresas fortes para solidificar o processo de desenvolvimento responsável pelas modificações sociais.

Inúmeros são os fatores que contribuem para essa falência das empresas brasileiras. Dentre eles a hipercompetição sem o mínimo de regulação, a ausência de inovação, a falta de investimentos focados em curto e médio prazos, a gestão e a carga tributária e os custos trabalhistas, o excesso de burocracia, os juros elevados e a bitributação, assim como os custos previdenciários. Existe ainda o fator corrupção a ser considerado e tudo isso dificulta a gestão das empresas.

Não bastassem todas essas dificuldades, a forma impositiva com que o Estado transfere para as empresas obrigações que por ele deveriam ser mantidas – já que é dele o dever constitucional - faz com que as companhias precisem arcar com obrigações tributárias e previdenciárias das quais, na maioria das vezes, não conseguem dar conta, o que resulta no fechamento destas e no consequente fechamento de muitos postos de trabalho.

Não se pode negar a existência de medidas contributivas do Estado, como o apoio às câmaras setoriais, no caso do Ceará, que beneficiam o empreendedorismo e dão aos gestores fôlego para permanecer no mercado. No entanto, a transferência de responsabilidades que o Estado faz - aliada à falta de investimento no setor privado - tira da maioria das empresas a capacidade de inovar e permite um modelo no qual o Estado, apesar de ser um desconhecedor do funcionamento do setor, em muitos casos age como intervencionista, limitando, desse modo, a capacidade de sobrevivência das empresas, quando deveria ser apenas regulador.

Se é o Estado – com seu modelo intervencionista e com sua alta carga tributária - o principal responsável pelo fechamento das empresas brasileiras, é justo que o empresariado reivindique, ao próprio Estado, medidas públicas que beneficiem o setor privado, uma vez que este responde pela maior parte dos empregos, consequentemente, por parcela significativa dos canais que sustentam o crescimento econômico.

Assim como é dever do Estado investir no desenvolvimento do setor privado, é dever do setor privado unir-se para lutar por uma legislação que favoreça ações que derrubem as regras que são barreiras para o desenvolvimento, mas, para tanto, deve estar preparado para gerir o negócio, absorvendo as demandas do mercado com eficiência. Somente um setor unido se tornará forte e poderá exigir novas regras a fim de assegurar uma divisão mais justa das obrigações que hoje lhe são impostas pelo Estado.

 

Honório Pinheiro - presidente@fcdlce.com.br

Presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Ceará

Fonte: 
jornal O POVO
Postado por: 
degage